Cross Urbano Caixa estreia em Brasília com 1.200 corredores

Primeira prova no mundo realizada inteiramente dentro de um estádio de futebol leva competidores para correr numa das arenas da Copa 2014.

Palco de jogos importantes do Mundial de 2014, o Estádio Nacional Mané Garrincha deixou o futebol de lado, neste sábado (15), para receber a primeira corrida no mundo realizada inteiramente dentro de um estádio.

Foto: Emmanuel Lima

Em sua estreia, o Cross Urbano CAIXA levou 1.200 competidores para um verdadeiro desafio por túneis, rampas e gramado, colocando a arena no calendário de provas do Distrito Federal. Com um conceito inovador, o evento privilegiou a disputa por faixas etárias, premiando atletas de nove categorias, entre homens e mulheres. Entre eles, nomes consagrados na região, como a goiana Sul Rosa, Rainha da Montanha 2014 e campeã na categoria de 18 a 24 anos.

“Havia mais duas corridas em Brasília neste final de semana. A nossa foi a última a entrar no calendário. E é algo que ninguém conhecia ainda. Conseguir trazer 1.200 competidores para o estádio, nessas condições, foi fantástico. Mostra que a competição é um sucesso. Sem dúvida, já está no calendário de corridas do Distrito Federal para os próximos anos”, comemorou Freddy Carvalho, idealizador do Cross Urbano CAIXA. “Temos mais duas etapas, na Arena Itaipava Pernambuco e na Arena Pantanal. E, agora que as pessoas conhecem o evento, com certeza a procura vai aumentar ainda mais.”

O formato bem sucedido do evento também foi destacado por Simone Castelo Branco, gerente nacional de marketing esportivo da CAIXA. “Há muito tempo eu não via uma prova gerar um burburinho tão grande como essa. As pessoas estavam chocadas, dizendo ‘que prova é essa?!’ E muita gente deixou de participar de outras corridas, com um caráter mais de entretenimento, para disputar o Cross Urbano, que é muito mais exigente em termos de performance. Para acontecer uma coisa assim, é porque o evento é muito bom, mesmo.”

Os participantes do Cross Urbano CAIXA foram divididos em nove baterias de acordo com sua faixa etária, com largadas a cada 15 minutos, o que dava a cada grupo um período de cerca de 20 minutos de “trânsito livre” pelo Estádio Mané Garrincha. A largada da primeira bateria, com a goiana Sul Rosa puxando a categoria de 18 a 24 anos, foi dada às 14h30, sob tempo nublado e temperatura agradável para os atletas, na casa dos 23 graus.

“Eu amei a prova, foi muito divertida”, vibrou Sul Rosa, tricampeã brasileira juvenil de corrida em montanha e vice-campeã na categoria adulta. “Depois do terceiro quilômetro, comecei a passar mal e vomitei duas vezes, porque corri às 14h30, e estou acostumada a treinar depois, no mínimo às 15 horas. E isso mexe com todo o sistema fisiológico do corpo. Mas respirei fundo e fui em frente. Nessas horas o atleta precisa estar com o psicológico bem focado naquilo que ele precisa fazer. E eu estava bem focada. Vim pensando em fazer o melhor tempo possível, e aos poucos fui melhorando. Ainda consegui chegar em primeiro!” Sul fez o menor tempo entre todas as mulheres na disputa, com 28min30.

Na categoria seguinte, outra figura conhecida na região ficou com o troféu de campeã. A brasiliense Camila Nicolau, mulher e parceira de Guilherme Pahl na equipe Brasília Multisport, oitava no ranking mundial de corrida de aventura, destacou a emoção de disputar uma corrida dentro do Mané Garrincha. “A prova foi muito legal, diferente do que eu estou acostumada. É uma distância difícil para mim, a de 6 km. Mas tinha muito sobe e desce, foi divertido”, conta a atleta. “Passar ao lado do campo foi ótimo, é o campo de um estádio de Copa do Mundo! E ele é um pouco fechado, no alto, dá uma sensação de acolhimento. Naquele trecho mais no alto, em que passamos entre as colunas, fica um silêncio… Você vai se acalmando, curtindo o lugar, é uma sensação de paz.”

Leandro Macedo, já considerado “Atleta do Século” pelo COB, por ser o único brasileiro a vencer o Circuito Mundial de Triatlo, foi o grande destaque entre os vários triatletas atraídos para a competição inusitada. Vencedor na categoria 45 a 49 anos, também aprovou o percurso. “Gostei muito da prova. As descidas eram um pouco mais difíceis, porque haviam curvas bem fechadas e você precisava diminuir a velocidade. Mas foi uma experiência ótima”, contou Leandro, que usará o final da temporada para descansar. “No começo de 2015 eu volto a correr, com os meus alunos, e com o Adauto (Belli, deficiente visual que buscará o índice para a maratona na Paralimpíada do Rio de Janeiro 2016).”

Embrião de uma nova equipe – A abertura do Cross Urbano CAIXA também marcou os primeiros passos de uma equipe que já nasce com a ambição de formar os melhores atletas do País, na cidade que já revelou nomes como Joaquim Cruz, Carmem Oliveira e Marílson Gomes dos Santos. E a estreia do Super Time não poderia ter sido melhor: um dos articuladores do grupo, o brasiliense Reginaldo Oliveira Campos Júnior foi o vencedor na categoria 25 a 29 anos entre os homens, com o menor tempo da prova, 19min55.

“Comecei o ano contundido e estou voltando a correr agora. Por isso, fazer um tempo como esse, numa prova difícil, cheia de subidas e descidas, é muito bom. Traz confiança. Fiquei bem satisfeito”, comemorou Reginaldo, tricampeão brasileiro juvenil (2004, 2005 e 2006) nos 10.000 m, bicampeão brasileiro sub-23 (2007 e 2008) e duas vezes medalha de bronze no Troféu Brasil (2008 e 2010), na distância. “Esse resultado também é importante porque foi a minha primeira corrida pelo Super Time.

Flávio Guimarães, atualmente na equipe Pé de Vento e também articulador do Super Time, esteve no Estádio Mané Garrincha, para acompanhar a disputa do parceiro, e falou mais sobre o projeto. “Estamos criando o Super Time com a intenção de fazer algo diferente, colocando a visão de quem está competindo, e não a de quem administra. Vamos entrar com o projeto na Lei de Incentivo ao Esporte. Também já temos algumas empresas interessadas em patrocinar. E convocamos alguns atletas, como a Cruz Nonata. O coordenador será o Adauto Domingues, técnico do Marílson Gomes.”

Estreia e superação em clima de futebol – A corrida das arenas da Copa do Mundo abriu espaço para atletas que nunca haviam visto um estádio de perto. Entre eles, um senhor de 78 emocionou os participantes, ao dar seu depoimento no palco de premiação. “Sou um dos pioneiros de Brasília, estou aqui há 55 anos. Morria de vontade de conhecer o Mané Garrincha, mas nunca vim por medo da violência das torcidas organizadas. Hoje estou realizando o sonho de ver o estádio de perto, e correndo, que é melhor ainda”, comemorou José Lobato.

Já Cícero Custódio de Souza, de 73 anos, correu para superar um momento de tristeza. “Eu havia feito uma loucura, na semana passada. Participei de uma meia-maratona sem ter treinado nada. Fiquei quebrado. E, na segunda-feira de madrugada, recebi um telefonema avisando que o meu irmão faleceu em Barreiras, na Bahia. Ele era mais velho do que eu, tinha 82 anos. Então eu resolvi vir correr aqui, no estádio Mané Garrincha, para esquecer as emoções da semana”, contou Cícero. “Eu era jogador de futebol, mas era muito ruim de bola. Nunca cheguei a jogar num estádio. Aí comecei a correr. E agora disputei uma prova no Mané Garrincha!”

Move Brasil – Enquanto os competidores corriam, o SESC DF agitou o público que assistia à prova pelo telão instalado próximo à arena de chegada, com uma série de atividades, como parte do Move Brasil. O projeto pretende tirar o máximo de pessoas do sedentarismo, até 2016, mostrando o esporte como algo saudável e divertido. As crianças puderam se divertir com brinquedos infláveis como pula-pula e escorregador, além de slackline, enquanto os adultos faziam aula de zumba e capoeira. Para os amantes de aventuras radicais, havia até uma corda bamba montada num dos andares superiores do estádio. E os mais velhos participaram de uma caminhada pela arena da Copa, após o final da corrida.

Transmissão ao vivo – O primeiro desafio do Cross Urbano CAIXA também deu um show na transmissão ao vivo. Pelo site oficial do evento, www.crossurbanocaixa.com.br, os internautas puderam acompanhar cada detalhe da disputa, com informações, curiosidades e entrevistas exclusivas com os participantes. O telão no estádio também mostrava todas as imagens ao público presente. O vídeo com a cobertura completa ficará disponível no site.

Próximas etapas – O Cross Urbano CAIXA segue com mais duas etapas, na Arena Itaipava Pernambuco (7/12) e na Arena Pantanal (21/12). As inscrições estão abertas no site do evento. O primeiro lote custa R$ 60,00, e o segundo lote tem taxa de R$ 80,00.

A etapa do Cross Urbano CAIXA de Brasília foi uma realização do SESC e AJR Eventos Esportivos, com patrocínio máster da CAIXA e apoio da Transamérica.

Mais informações em www.crossurbanocaixa.com.br

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