Entrevista: Vanderlei Cordeiro de Lima

Para começar 2011 com tudo, nada como conversar com um dos maiores ídolos do atletismo brasileiro: Vanderlei Cordeiro de Lima.

Para começar 2011 com tudo, nada como conversar com um dos maiores ídolos do atletismo brasileiro: Vanderlei Cordeiro de Lima.

Detentor de vários títulos e marcas, Vanderlei tem, entre seus feitos, o título de campeão da Maratona de São Paulo em 2002, vice-campeão na Maratona de Tóquio em 1998 e o terceiro lugar na Maratona dos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004.

Mas seu alto desempenho esportivo não é o único motivo para que Vanderlei seja um atleta tão querido: sua humildade, garra e profissionalismo fazem dele um atleta completo.

Vanderlei respondeu às perguntas do Correr pelo Mundo sobre sua carreira, projetos para o futuro e claro, sobre as viagens que faz para participar de competições. Confira!

– Como você começou a correr? E quando decidiu se tornar um atleta profissional?

Vanderlei: Meu primeiro contato com o atletismo foi na escola, em Tapira (PR), onde minha família trabalhava como bóia-fria. Fui inscrito pela escola em uma prova de rua na região e com o resultado percebi minha aptidão para o atletismo. Quando comecei meu objetivo era conhecer as cidades vizinhas. Conheci muito mais que isso. Me sinto realizado.

– A gente sabe que um atleta profissional tem que abrir mão de muitas coisas. Quando você não tem treinos, o que você gosta de fazer?

Vanderlei: Gosto de pescar e de ficar com a minha família.

– Como foi participar do Nike600k?

Vanderlei: É uma prova única, muito bem organizada. Gosto de participar do evento porque fico em contato direto com atletas amadores que treinam muito e se superam. Acho a prova inspiradora até para quem ainda não corre.

– Você já viajou muito para correr. Qual foi o lugar que você mais gostou e porquê?

Vanderlei: Sim, bastante. Gostei muito do Japão. Minhas melhores marcas foram em solo japonês e o povo sempre foi muito simpático comigo lá.

– E a corrida no exterior que mais lhe marcou, qual foi e porquê? E no Brasil, qual foi a sua prova inesquecível?

Vanderlei: Sem dúvida foi a prova da Maratona de Atenas nos Jogos Olímpicos, onde conquistei a medalha de Bronze. Aqui no Brasil foi a vitória na Maratona de SP em 2002. Quebrei o recorde da prova, que dura até hoje, e nunca ninguém em solo sulamericano conseguiu correr a maratona tão rápido quanto como eu em SP naquele dia.

– Sobra tempo para fazer turismo em suas viagens?

Vanderlei: Em geral, não. Mas sempre que estou com o Ricardo (D’Angelo, seu treinador), depois de nossos compromissos, se sobrar tempo, tentamos conhecer um pouco do lugar e de seus costumes.

– Qual será o seu próximo desafio nas corridas?

Vanderlei: Meus objetivos sempre serão de trabalhar para o bem do esporte. Vou tentar, independente do ambiente, contribuir de maneira positiva para fazer do esporte uma oportunidade para aqueles que sonham e desejam se tornar cidadãos saudáveis e felizes. Meu maior desafio atual é o Instituto Vanderlei Cordeiro de Lima (IVCL), com sede em Campinas (SP). Esta é a realização de um antigo sonho meu: oferecer condições de acesso à educação e cultura para jovens de baixa renda. Além de selecionar talentos, o IVCL tem como missão contribuir para a ampla formação de crianças utilizando o esporte como meio para crescimento e desenvolvimento individual e coletivo. Inicialmente trabalharemos com o atletismo por ser a modalidade com a qual tive sucesso e tenho mais afinidade. No futuro podemos organizar novos núcleos em outras cidades de acordo com o desenvolvimento do projeto.

– Você toma algum cuidado especial ao fazer longas viagens para correr?

Vanderlei: Procuro me alimentar bem e descansar bastante antes das viagens.

– Que dica de treinamento ou de preparação que você deixa a todos os corredores?

Vanderlei: Muito treino, paciência e concentração. Ouvir os conselhos e orientações do treinador é determinante para alcançar os objetivos e evitar lesões. Para um atleta não tem nada pior do que não poder treinar por conta de dores. É preciso realizar um trabalho de fortalecimento muscular, alimentação adequada e muito treino. Mas todo esse esforço é compensado quando se cruza a linha de chegada. Vale muito a pena.

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